Na coluna passada, abordei como o Governo Federal tem tratado a questão da comunicação em sua gestão. O governo reconheceu que comunicava mal suas realizações e passou a adotar um tom mais próximo de seus públicos.
Pois bem. Coincidência ou não, a pesquisa mais recente da Genial/Quaest desta semana mostra que a queda de popularidade do presidente e de seu governo continua acentuada. O levantamento revele que Lula é desaprovado por 50% ou mais dos brasileiros em oito estados. Já em São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais, a desaprovação supera os 60%. Por outro lado, até o momento, pouco se sabe sobre o plano estratégico de comunicação adotado pela Secretaria de Comunicação do Governo.
Entretanto, duas medidas parecem se destacar nas últimas semanas. A primeira é a chamada “batalha dos bonés”, como ficaram conhecidas as manifestações de apoio durante as eleições para as presidências das duas casas legislativas brasileiras. A segunda é o pronunciamento do presidente Lula em cadeia nacional de rádio e televisão.
No primeiro caso, tratou-se de um contragolpe ao efeito Trump na direita brasileira, que utilizou a mesma estratégia. Aliás, é um assunto já conhecido, pois Pablo Marçal ganhou destaque na mídia brasileira ao usar bonés estampados com o símbolo “M” durante os debates eleitorais na sua candidatura à prefeitura de São Paulo. O resultado, todos já sabem. O segundo caso foi o pronunciamento do presidente Lula nesta semana ao falar sobre o programa Pé-de-Meia, que prevê o pagamento de uma poupança de mil reais para estudantes que concluírem o ensino médio, além da ampliação da gratuidade de 100% dos remédios da Farmácia Popular. Apesar da relevância e importâncias dessas medidas, o pronunciamento acabou se transformando claramente em uma peça publicitária, banalizando a participação do presidente.
Na minha vida profissional, tenho percebido cada vez mais o problema da comunicação nas empresas e nos governos. Em tempos de inteligência artificial e tecnologias sofisticadas, parece que o básico tem sido deixado de lado: uma comunicação mais humana, autêntica e direcionada, com a linguagem correta para cada público, continua sendo um grande desafio para agentes públicos e privados.
A comunicação precisa atingir seus objetivos e, a partir disso, gerar algum efeito. Pode ser no fomento às vendas, na difusão de uma ideia ou no convencimento político. Nunca funcionará como fim. A comunicação é meio. Pode ter diversos formatos e abordagens, mas sempre dependerá do seu conteúdo. Voltando ao Governo, na guerra das narrativas, quando a articulação falha, nenhuma estratégia de comunicação será eficaz.
Por: Fernando Manhães